ENTRE ROCHAS E PINTURAS:
A TOCA DO BOQUEIRÃO DA PEDRA FURADA COMO ESPAÇO DE ENSINO E VALORIZAÇÃO CULTURAL
Palabras clave:
Geodiversidade, visita técnica, geologia, pinturas rupestresResumen
A geodiversidade compreende a variedade de elementos naturais da Terra, como rochas, minerais, solos, formas de relevo e os processos geológicos que os originam e transformam ao longo do tempo. Essa diversidade é fundamental não apenas para a manutenção dos ecossistemas existentes, mas também para a compreensão da história geológica e evolutiva do planeta (Silva et al., 2023). No Brasil, um dos principais exemplos dessa riqueza natural é o Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no sul do estado do Piauí, nos municípios de São Raimundo Nonato, Coronel José Dias e Brejo do Piauí. O parque abrange uma paisagem deslumbrante de cânions, encostas abruptas e formações rochosas esculpidas em rochas areníticas, por processos naturais que ocorreram ao longo dos milhões de anos (Silva, 2018). Além de sua importância geológica, o parque possui um dos maiores e mais antigos acervos arqueológicos das Américas. Entre os diversos sítios encontrados, destaca-se a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, situada no município de Coronel José Dias, que reúne centenas de pinturas rupestres e artefatos pré-históricos que indicam a presença humana na região em um longo período (Silva, 2018). Essas evidências desafiam as teorias tradicionais sobre a ocupação do continente americano, reforçando a importância científica e histórica da Serra da Capivara e sua contribuição para os estudos da pré-história brasileira. Diante desse contexto, o presente trabalho teve como objetivo destacar a importância da visita técnica realizada na Toca do Boqueirão da Pedra Furada. A Toca do Boqueirão da Pedra Furada é um abrigo situado sob imponentes paredões rochosos, com aproximadamente 75 metros de altura e 70 metros de largura. As paredes desse sítio arqueológico exibem pinturas rupestres milenares, sobrepostas às formações de arenito vermelho que esculpem colunas naturais. De acordo com Silva (2018), esses registros artísticos revelam múltiplos períodos pré-históricos e indicam que o local serviu como refúgio para grupos de caçadores durante a transição entre o Pleistoceno e o Holoceno. A arte rupestre presente no sítio não é apenas uma manifestação simbólica das sociedades humanas, mas também reflete identidades culturais e demarcações territoriais. Além das representações rupestres, após o sítio ser escavado, descobriram artefatos arqueológicos de extrema relevância para a pré-história americana. Tais achados indicaram uma ocupação humana muito antiga no continente, redefinindo as percepções sobre o povoamento das Américas (Large; Borges, 2003). Atualmente, o Boqueirão da Pedra Furada é reconhecido como o sítio arqueológico de maior antiguidade e significado no continente americano. Assim, a arte rupestre, além de expressar a simbolização dos grupos humanos, revela aspectos fundamentais de sua cultura e modos de vida, contribuindo para a compreensão de sua relação com o território. Sendo assim, o presente trabalho teve como técnica adotada a observação realizada em equipe, que, segundo Vergara (2016), permite a coleta de dados mais abrangente e detalhada, pois a diversidade de observadores contribui para a redução de interpretações particulares e enriquece a análise qualitativa dos fenômenos estudados. Além de se configurar como estudo de caso orientado por uma abordagem qualitativa, uma vez que, de acordo com Minayo (2014), esse tipo de investigação visa compreender os significados atribuídos pelos sujeitos às suas ações e experiências, valorizando o contexto em que estão inseridos. O estudo de campo foi realizado pelos graduandos de Licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal do Piauí, campus Floriano, juntamente com o professor da disciplina de Geologia e Paleontologia, durante uma visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara em junho de 2025. Como instrumentos de documentação e análise de coleta de dados foram utilizadas anotações em diário de campo e registros fotográficos. Durante o estudo realizado, foi possível compreender aspectos relevantes sobre as pinturas rupestres, incluindo suas tradições, formas de expressões simbólicas, possíveis datações e interpretações. Observou-se que muitas dessas representações estão ligadas ao movimento dos corpos, às práticas de caça, rituais e aspectos do cotidiano das antigas populações. Além das pinturas, foram observadas e identificadas diferentes estruturas rochosas existentes no Parque e seus princípios, ligados a disciplina de Geologia, como o processo de erosão, sedimentação e formação de paredões e abrigos naturais. No decorrer da visita e coleta de dados, também foi viável conhecer mais profundamente a trajetória da arqueóloga e pesquisadora Dra. Niède Guidon, fundadora do Parque, e os importantes feitos por ela realizados em prol da preservação do patrimônio histórico, cultural e natural da região. Sua atuação teve um papel fundamental não apenas na conservação do sítio arqueológico, mas também no desenvolvimento científico e social das comunidades locais, evidenciando a importância do trabalho interdisciplinar envolvendo arqueologia, paleontologia, geologia e educação. Logo, a visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara proporcionou uma experiência enriquecedora, tanto no ponto de vista científico quanto cultural. A atividade permitiu a ampliação dos conhecimentos sobre arte rupestre, geodiversidade e patrimônio arqueológico, além de evidenciar a relevância da preservação desses espaços para as futuras gerações. A vivência no local também contribuiu para reforçar a importância da interdisciplinaridade no ensino, integrando conteúdos de Geologia, História, Biologia e Arqueologia de forma prática e significativa. Dessa forma, a visita técnica consolidou-se como um instrumento essencial para a formação acadêmica, despertando o interesse pela pesquisa e pela valorização do patrimônio histórico e natural brasileiro.
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Derechos de autor 2025 Maria Luiza Sousa Silva, Eliza Maria Andrade da Silva, Maria Clara Carvalho Costa Azevedo, Rayse Martins Ferreira, Jose Souza da Costa

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