COMPREENSÃO DAS ESTRUTURAS SEDIMENTARES NA TOCA DO PAJAÚ: DO CONTEÚDO TEÓRICO À IDENTIFICAÇÃO EM CAMPO

Autores

  • MARIA YASMIN CASTELO BRANCO BUENO IFPI- CAMPUS FLORIANO
  • ORLANDO PEREIRA DE SOUSA IFPI-CAMPUS FLORIANO
  • MAIANA ALVES CARDOSO IFPI-CAMPUS FLORIANO
  • JOSÉ SOUZA DA COSTA IFPI-CAMPUS FLORIANO

Palavras-chave:

'Geodiversidade' 'Estrutura sedimentar' 'Educação patrimonial' 'Toca do Pajaú'

Resumo

Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre a visita técnica à Toca do Pajaú, situada no Parque Nacional Serra da Capivara, no município de Coronel José Dias (PI), e realizada no âmbito da disciplina de Geologia e Paleontologia, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFPI – Campus Floriano. A visita técnica foi realizada em 15 de junho de 2025, com os estudantes do 9º módulo da Licenciatura em Ciências Biológicas, acompanhados pelo docente responsável. Durante o percurso, foram identificadas formações com estratificação horizontal, estratificação cruzada e discordância de desconformidade entre camadas, além de processos associados à dinâmica externa do relevo. Dessa forma, o objetivo principal foi identificar as estruturas sedimentares presentes nas rochas da Toca do Pajaú, a partir da articulação entre os conteúdos teóricos sobre sedimentação, os princípios geológicos e a compreensão obtida durante a atividade de campo. Para alcançar esse objetivo, a análise concentrou-se nas formações geológicas da Formação Ipu, visíveis ao longo da trilha de acesso ao abrigo arenítico. O trabalho foi fundamentado nos princípios da geologia histórica e da sedimentologia, buscando integrar teoria e prática na interpretação das estruturas observadas. A Toca do Pajaú, descoberta em 1973, encontra-se em um abrigo da Formação Ipu, caracterizado com feições geológicas compostas por arenitos médios e friáveis, conglomerados grosseiros com seixos de quartzo e quartzito, além de argilitos e siltitos lacustres (CPRM, 2009). Essas formações refletem deposição em ambientes fluviais e lacustres, com influências marinhas, associadas a ciclos de transgressão e regressão do nível do mar. Para Suguio (1973), estruturas como a estratificação cruzada, além dos princípios da superposição e da horizontalidade original, são fundamentais para compreender o registro sedimentar. Além desses aspectos, a morfologia do abrigo, segundo Barros et al. (2012), apresenta formato côncavo e feição de domo, o que o torna vulnerável à ação de agentes de intemperismo, como o escorrimento pluvial, as variações térmicas e a atividade de organismos xilófagos. Esses organismos, que se alimentam de madeira ou de materiais lignificados, como cupins e besouros, contribuem para o intemperismo biológico ao fragilizar estruturas orgânicas presentes nas fissuras e superfícies rochosas, acelerando os processos de degradação física do abrigo. Complementando esse panorama, a presença de pinturas rupestres da Tradição Nordeste, conforme descrito por Guidon e Pessis (1999), evidencia a interação entre os elementos geológicos e arqueológicos. A esse respeito, Silva (2009) destaca que a valorização do patrimônio natural e cultural em atividades educativas favorece a formação cidadã e o fortalecimento da identidade local. Destaca-se a ocorrência de intemperismo físico, químico e biológico, evidenciada por desplacamentos estruturais, manchas de oxidação provocadas pelo escorrimento de água pluvial e a ação de insetos como cupins, vespas e marimbondos, aspectos já documentados em estudos realizados pela equipe de conservação da FUMDHAM (Figueiredo; Puccioni, 2006) e pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM (2009).Portanto, a visita técnica permitiu vivenciar, de forma concreta, os conteúdos discutidos em sala de aula, promovendo uma compreensão ampliada sobre os processos de formação das rochas sedimentares e sua relação com a conservação de registros arqueológicos. A articulação entre teoria e prática favoreceu o aprendizado significativo em geociências e reforçou a importância da educação patrimonial na formação docente. Em síntese, a experiência contribuiu tanto para a construção do conhecimento geológico quanto para a valorização do Parque Nacional Serra da Capivara como patrimônio científico, histórico e cultural.

Arquivos adicionais

Publicado

09-10-2025

Edição

Seção

Resumos_Eixo 02_Ensino de Ciências

Como Citar

COMPREENSÃO DAS ESTRUTURAS SEDIMENTARES NA TOCA DO PAJAÚ: DO CONTEÚDO TEÓRICO À IDENTIFICAÇÃO EM CAMPO . (2025). Jornada Científica do IFPI - Campus Floriano, 5(1). https://eventos.ifpi.edu.br/index.php/anaisjcfloriano/article/view/1010

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