VIVÊNCIAS NA MONITORIA DE DIVERSIDADE VEGETAL II

PRÁTICAS DE COLETA E HERBORIZAÇÃO.

Autores

  • Rosane da Paz Bueno Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Taís Ribeiro de Sousa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Maria Luiza de Sousa Silva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Andre Augusto dos Santos Sousa Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Debora Cristina de Oliveira Carvalho Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Victor Hugo Aires Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano
  • Ana Valéria Borges de Carvalho Melo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí - Campus Floriano

Palavras-chave:

herbário; diversidade vegetal; exsicatas; botânica.

Resumo

O conhecimento da diversidade vegetal e das técnicas para seu estudo é essencial na formação de profissionais da área biológica. A prática da coleta, identificação e preservação de amostras vegetais por meio da herborização representa uma ferramenta fundamental no processo de ensino-aprendizagem em botânica. Segundo Raven et al. (2014), o estudo das plantas envolve não apenas a compreensão de sua estrutura, desenvolvimento e fisiologia, mas também a valorização de sua importância ecológica e cultural. Nesse sentido, o herbário se configura como um espaço didático-científico relevante, possibilitando o contato direto com a flora local e promovendo o aprendizado ativo. Ao integrar atividades de campo e laboratório, o projeto de monitoria visa proporcionar aos estudantes vivências práticas na montagem de um herbário didático, fortalecendo a relação entre teoria e prática e contribuindo para a consolidação dos saberes botânicos e a valorização da biodiversidade regional. Em vista disso, o presente trabalho tem como objetivo descrever as vivências adquiridas na monitoria da disciplina Diversidade Vegetal II, com ênfase na aplicação prática dos métodos de coleta e herborização. A Botânica, no contexto educacional, enfrenta obstáculos significativos, sendo o principal deles a falta de interesse dos estudantes pelo estudo das plantas. Esse desinteresse é resultado da chamada “negligência botânica”, um comportamento que reflete a invisibilidade dos vegetais no cotidiano, intensificada pela escassa abordagem do tema tanto na mídia quanto nas escolas. Além disso, a ausência de metodologias que tornem o conteúdo mais dinâmico contribui para esse cenário. Diante disso, torna-se fundamental implementar práticas pedagógicas que despertem a curiosidade dos alunos e estimulem os professores a tratar o assunto de maneira mais atrativa e significativa. (Dias et al, 2020). Segundo Silva Filho (2016), utilizar no ensino de Botânica a metodologia científica se mostra relevante, pois proporciona não só a observação dos fenômenos que ocorrem nos vegetais, mas também fomenta discussões através dos experimentos no ambiente escolar. Dentre as metodologias para o ensino de Botânica, destaca-se o processo de herborização que contribui para alfabetização científica, complementação do processo educativo, além de proporcionar a sensibilização sobre a preservação dos organismos (Freire; Bandeira; Araújo, 2021). Fagundes; González (2006) reiteram que as exsicatas quando utilizadas em práticas experimentais se mostram como uma  ferramenta educativa eficiente, tendo em vista que os estudantes manipulam os vegetais de forma direta, evidenciando assim de forma prática o que foi  trabalhado em sala de aula. Este estudo apresenta caráter descritivo e natureza qualitativa. De acordo com Gil (2019), a pesquisa descritiva busca observar, registrar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los, sendo adequada para estudos que pretendem relatar práticas pedagógicas. Ainda, por possuir natureza qualitativa, este estudo busca compreender as práticas educativas em sua complexidade, valorizando a interpretação dos sujeitos sobre suas vivências, conforme defendido por Creswell (2014). Os procedimentos metodológicos da monitoria foram organizados em quatro encontros distintos, com o objetivo de proporcionar uma vivência prática e teórica sobre coleta botânica e herborização. O primeiro encontro, realizado na sala de aula e no Herbário do IFPI, consistiu na apresentação institucional, exibição de exemplares e discussão técnica mediada pela professora da disciplina e pelos monitores. Em seguida, no segundo encontro, ocorreu uma aula teórico-prática sobre técnicas de coleta, registro, prensagem e montagem de exemplares, também em sala de aula. O terceiro momento foi destinado à coleta nas áreas verdes do campus, onde os discentes registraram informações, como nome popular, científico, local de coleta e família das espécies. Ademais, realizaram a prensagem dos vegetais coletados, onde foram armazenados em local ensolarado por 2 (duas) semanas para secarem. Por fim, no quarto encontro, os estudantes participaram da montagem das exsicatas, elaboração de fichas de identificação e discussão sobre a curadoria das exsicatas, utilizando o espaço da sala de aula e do laboratório de Ensino de Biologia do Campus. O projeto apresentou resultados expressivos e positivos para todos os sujeitos envolvidos. Para a docente responsável e os discentes monitores, constituiu-se em uma oportunidade profícua de articulação entre os saberes teóricos e práticos, contribuindo significativamente para o fortalecimento do ensino-aprendizagem. As atividades desenvolvidas conferiram maior dinamismo às aulas da disciplina, promovendo sua contextualização e estreita relação com a realidade dos estudantes. Ademais, a execução do projeto configurou-se como uma experiência formativa relevante no âmbito da docência, ao ampliar o repertório metodológico e favorecer a reflexão sobre práticas pedagógicas ativas. Para os estudantes participantes, a vivência prática com o objeto de estudo possibilitou a ressignificação dos conteúdos abordados em sala de aula, favorecendo a consolidação e o aprimoramento dos conhecimentos teóricos previamente adquiridos. O contato direto com as técnicas de coleta, herborização e curadoria de espécimes vegetais promoveu maior compreensão dos procedimentos científicos e valorização da pesquisa em Botânica. Dessa forma, o desenvolvimento do projeto evidenciou a importância de metodologias ativas e experiências práticas no ensino de Botânica, reforçando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão na formação de professores e na construção de saberes significativos. A integração entre teoria e prática mostrou-se essencial para despertar o interesse dos estudantes, consolidar aprendizagens e fomentar o pensamento científico, contribuindo de maneira efetiva para a qualificação do processo educativo no âmbito do ensino superior.

Arquivos adicionais

Publicado

21-10-2025

Edição

Seção

Resumos_Eixo 02_Ensino de Ciências

Como Citar

VIVÊNCIAS NA MONITORIA DE DIVERSIDADE VEGETAL II: PRÁTICAS DE COLETA E HERBORIZAÇÃO. (2025). Jornada Científica do IFPI - Campus Floriano, 5(1). https://eventos.ifpi.edu.br/index.php/anaisjcfloriano/article/view/1003

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