ENTRE FLORES E IMPROVISOS: O ENSINO DE BOTÂNICA POR MEIO DAS EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS E COLETIVAS
Resumo
O ensino de botânica, especialmente da diversidade vegetal, frequentemente encontra barreiras relacionadas ao engajamento dos estudantes, em razão de sua abordagem teórica e da complexidade dos conteúdos. Como alternativa, práticas baseadas em metodologias ativas e investigativas têm se destacado por promoverem uma aprendizagem mais significativa, envolvendo os alunos de maneira mais participativa.
Na disciplina Diversidade Vegetal II, uma proposta lúdica e colaborativa foi desenvolvida pela professora Ana Valéria com o intuito de revisar conteúdos sobre reprodução e ciclo de vida das angiospermas, estimulando o protagonismo discente. Experiências como essa dialogam com a ideia de que o processo educativo deve ser construído em parceria, onde educador e educando aprendem juntos e se transformam mutuamente, como propõe Freire (2006).
Ao favorecer a autonomia e o sentimento de pertencimento à própria aprendizagem, essas metodologias contribuem para despertar a curiosidade e ampliar o envolvimento dos estudantes, enriquecendo inclusive a prática docente. No entanto, apesar de seu potencial, ainda são escassas as pesquisas que exploram o impacto dessas abordagens no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como criatividade, comunicação e resolução de problemas.
O objetivo das atividades foi revisar o ciclo de vida e a reprodução das angiospermas por meio de metodologias ativas e lúdicas, promovendo o protagonismo estudantil. Especificamente, buscou-se estimular a criatividade, o trabalho em equipe e a expressão oral e corporal, tornando o aprendizado mais acessível, prático e significativo.
A atividade foi realizada na disciplina Diversidade Vegetal II, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas (IFPI – Campus Floriano), com foco nas angiospermas e seus mecanismos reprodutivos. Utilizando metodologias ativas e lúdicas, os estudantes foram organizados em quatro grupos e, por sorteio, atribuíram-se diferentes formas de apresentação: podcast, paródia, mímica e peça teatral. Cada grupo representou criativamente o conteúdo aprendido, explorando múltiplas linguagens e promovendo autonomia, trabalho em equipe, oralidade, expressão corporal e síntese conceitual. A proposta, fundamentada na pedagogia construtivista, visou tornar a aprendizagem mais significativa e contextualizada.
- Grupo 1 – Podcast “PodPollen”: Personagens representaram estruturas reprodutivas das angiospermas em formato de entrevistas.
- Grupo 2 – Paródia “Uni duni Tê”: Música adaptada para ensinar o ciclo de vida da planta de forma rítmica e envolvente.
- Grupo 3 – Mímica: Representação corporal e simbólica das fases do desenvolvimento da planta.
- Grupo 4 – Peça Teatral: Narrativa poética e simbólica sobre o ciclo de vida das angiospermas, integrando ciência e arte.
As atividades lúdicas e participativas sobre o ciclo de vida das angiospermas resultaram em maior engajamento, criatividade e compreensão dos conteúdos pelos estudantes. O uso de metodologias ativas promoveu a expressão oral e corporal, o trabalho em equipe e a ressignificação do conteúdo científico, tornando o aprendizado mais acessível e duradouro.
Conclui-se que estratégias como essas tornam o ensino da botânica mais significativo e prazeroso, além de contribuírem para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A experiência reforça a necessidade de superar práticas tradicionais e adotar abordagens que valorizem o protagonismo estudantil e a construção colaborativa do conhecimento.
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