Relato de caso: atresia anal tipo III em cordeiro atendido na clínica-escola veterinária do IFPI Campus -José de Freitas
Palavras-chave:
Anomalias, deformidades, trato gastrointestinal.Resumo
Introdução: A atresia anal é uma anomalia congênita rara observada em diversas espécies domésticas, como cães, gatos, bovinos e equinos, caracterizada pela ausência parcial ou total da abertura anal, decorrente de falhas no desenvolvimento embrionário da cloaca e do seio urogenital. Essa malformação é classificada em quatro tipos principais: tipo I, estenose anal, na qual há estreitamento do canal anal com presença dos esfíncteres; tipo II, membrana anal imperfurada, em que uma fina membrana obstrui a abertura anal; tipo III, atresia com separação retal, quando o reto termina em fundo cego sem continuidade com a região anal; e tipo IV, atresia anal associada à fístula retovaginal ou reto-uretral. O diagnóstico é geralmente clínico, podendo ser complementado por exames de imagem, como radiografia contrastada e ultrassonografia, para determinar a extensão da anomalia. O tratamento é cirúrgico e o prognóstico depende da gravidade e do tipo da lesão: casos leves, como estenose e membrana imperfurada. Não existem estudos epidemiológicos robustos que quantifiquem exatamente a frequência dessa malformação em ovinos, mas relatos indicam que é uma condição incomum, com prevalência baixa em rebanhos (0,26%). Objetivo: Relatar um caso clínico de atresia anal em ovino e os procedimentos adotados. Métodos: O animal foi atendido na Clínica-Escola Veterinária (CLINEVET) do Instituto Federal do Piauí Campus José de Freitas (PI) em setembro de 2025. O cordeiro mestiço de dopper pesava 3kg, possuía três dias de idade foi atendido com a queixa principal de não possuir orifício anal, alimentava-se bem e apresentava irritação e incômodo por não defecar. Resultados: Foi realizada a palpação e verificou que o animal possuía depressão na pele na região retal, onde deveria haver o orifício anal, com a presença à palpação de um divertículo retal de fundo cedo, portanto atresia anal tipo III. O animal foi anestesiado com protocolo de 0,2 mg/kg de xilazina e realizada a anestesia local com 0,5 ml de lidocaína distribuídos em botões anestésicos ao redor da região perianal. Foi feita a incisão e divusionamento do orifício anal, ancoragem da mucosa retal com fio mononylon 3-0 e sutura da mucosa na pele em pontos simples separados com poliglactina 3-0. Logo após o procedimento foram administrados 12.000 UI/kg de penicilina benzatina, 0,1 mg/kg de meloxicam e 3mg/kg de tramadol, por fim realizado o curativo com pomada cicatrizante à base de clorexidina. Após 05 horas do procedimento cirúrgico, o animal defecou normalmente. Conclusão: Portanto, conclui-se que o procedimento cirúrgico foi eficaz para a correção da atresia anal, com boa recuperação e bem estar ao animal.