FORMAÇÃO CONTINUADA NA EJA EM PERSPECTIVA CRÍTICA, HUMANIZADORA E EXTENSIONISTA DIALÓGICA
Resumo
O presente estudo aborda a formação continuada de professores(as) da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na perspectiva crítica, humanizadora e extensionista dialógica, desenvolvida em cinco municípios do Estado do Piauí. Parte-se da seguinte situação-problema: em que medida os processos formativos ofertados aos docentes da EJA têm promovido práticas pedagógicas dialógicas, contextualizadas e comprometidas com a aprendizagem significativa dos jovens, adultos e idosos, considerando suas trajetórias, saberes e realidades socioculturais? A problemática se ancora na constatação de que a formação docente na EJA apresenta fragilidades na articulação entre teoria e prática, à valorização dos saberes dos educandos e à incorporação de abordagens críticas e emancipadoras. A justificativa do estudo reside na necessidade de fortalecer políticas e práticas formativas que superem modelos transmissivos e descontextualizados, contribuindo para a construção de uma educação mais inclusiva, significativa e socialmente referenciada. A pesquisa busca evidenciar a potencialidade da extensão como espaço formativo, capaz de promover diálogo, reflexão crítica e ressignificação das práticas pedagógicas no âmbito da EJA.O objetivo geral consistiu em analisar as contribuições de um ciclo formativo extensionista, de base crítica e humanizadora, para a formação continuada de professores(as) da EJA em cinco municípios piauienses. Buscou-se compreender as mudanças nas práticas pedagógicas, identificar avanços na incorporação de princípios freireanos (Freire, 2019, 2019a, 2019b) e analisar os desafios enfrentados no processo formativo. Metodologicamente, a investigação caracteriza-se como pesquisa-ação (Thiollent, 2025), de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de encontros formativos, oficinas pedagógicas, rodas de diálogo e aplicação de instrumentos como questionários e registros reflexivos dos participantes. O processo envolveu professores(as) da EJA atuantes em diferentes contextos da educação básica, articulando momentos de estudo teórico e vivências práticas, com foco na problematização da realidade e na construção coletiva do conhecimento. Os resultados evidenciam avanços significativos na compreensão dos docentes acerca da importância da dialogicidade, da valorização dos saberes dos educandos e da adoção de práticas pedagógicas mais contextualizadas e participativas. Observou-se também o fortalecimento da identidade docente na EJA e a ampliação do repertório metodológico dos professores(as), favorecendo a construção de práticas mais humanizadoras. Entretanto, persistem lacunas relacionadas à descontinuidade das políticas formativas, à limitação de tempo institucional para estudos coletivos, à carência de materiais didáticos específicos para a EJA e à necessidade de maior integração entre as dimensões da educação básica, profissional e tecnológica. Tais desafios indicam a urgência de consolidar propostas formativas permanentes, ancoradas na práxis crítica e no compromisso com a transformação social
Palavras-chave
Formação continuada, Educação de jovens e adultos, Práxis crítica, Humanização, Extensão dialógica