Moluscos límnicos de regiões semiáridas
criação de um banco de dados para estudos comparativos
Palavras-chave:
Bivalvia, Brasil, Gastropoda, SemiáridoResumo
Os moluscos constituem o segundo grupo mais diversificado dos animais, ocupando ambientes terrestres, marinhos e de água doce em todo o mundo, onde desempenham papéis ecológicos essenciais. Sua notável capacidade de adaptação permite sua presença em diversas regiões, incluindo as áreas semiáridas, que abrangem cerca de 15% da superfície terrestre. Essas regiões são caracterizadas por condições extremas, como baixa precipitação anual (entre 25 e 500 mm), altas taxas de evapotranspiração e temperaturas elevadas, o que favorece a seleção de espécies resistentes. Nesse contexto, as estratégias adaptativas desses organismos são fundamentais tanto para sua sobrevivência quanto para a recolonização de ambientes impactados por secas severas. O objetivo deste estudo foi realizar um levantamento das espécies de moluscos límnicos no semiárido brasileiro, visando contribuir para discussões sobre a composição e riqueza desse grupo. Para isso, obtivemos dados de ocorrência dos animais da plataforma Global Biodiversity Information Facility (GBIF). A nomenclatura foi revisada manualmente com base no banco de dados Molluscabase (molluscabase.org). Foram encontrados registros de 58 espécies de moluscos límnicos, distribuídas entre as classes Gastropoda (39 espécies) e Bivalvia (19 espécies). Gastropoda se destacou pelo maior número de famílias (n = 9), sendo Ampullariidae, Hemisinidae e Planorbidae as mais representativas, com 10 espécies cada, enquanto as demais apresentaram até duas espécies. As espécies da classe Bivalvia, por sua vez pertenciam às famílias Mycetopodidae (n = 9) e Hyriidae (n = 10). Gastropoda também apresentou o maior número de registros, totalizando 102 das 176 ocorrências, enquanto Bivalvia somou 74 registros. Entre os registros mais frequentes, o bivalve Diplodon rhombeus apresentou o maior número (n = 20), seguido pelos gastrópodes Biomphalaria glabrata (n = 17) e Pomacea canaliculata (n = 14). Este levantamento destacou a significativa diversidade de moluscos límnicos no semiárido brasileiro e reforçou a relevância de bancos de dados padronizados como ferramentas fundamentais para análises futuras em biodiversidade, biogeografia e adaptações. Além disso, a presença de espécies exóticas e invasoras, bem como aquelas vetoras de parasitos de importância médica e veterinária, evidencia a necessidade de expandir estudos voltados para a vigilância em saúde e para o manejo sustentável dos recursos naturais dessa região.
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